Paris é a terceira cidade de Portugal
É por Paris ser a terceira cidade do Mundo onde residem mais Portugueses, e que muitos milhares são Socialistas, que a Secção de Paris do Partido Socialista Português decidiu abrir este site, para os informar e os acolher. Aqui saberão as últimas noticias e informações de politica geral, as novidades sobre os nossos trabalhos e projectos, à medida que estes forem avançando, bem como as datas das nossas reuniões e as moradas das reuniões públicas, para as quais estão desde já convidados.A cidadania e a política andam de mãos dadas e ambas fazem parte do dia a dia de cada cidadão.
Esperamos o vosso contacto!
Aguardamos a vossa visita!
Mensagem do Secretário Coordenador da
Secção de Paris:
A passada reunião de 13 deste mês foi bastante interessante e havia três razões para isso:
A primeira foi a participação, começamos bem o ano, mesmo se bastantes camaradas andam pelas Terras Natais e outros a recuperar o atraso nos assuntos profissionais que as férias causaram e não puderam estar connosco.
Depois porque tivemos a presença pela primeira vez de mais uma camarada Lusófona vinda da Juventude Socialista Francesa, que prometeu voltar.
E por fim porque o debate foi rico, activo, suficientemente longo e porque se chegou a um consenso sobre a nossa posição no que diz respeito ao “caso” Identité Nationale”. Sobre este assunto transcrevo a passagem da acta da reunião:
“Foi evocado o tema (Identidade Nacional) da reunião anulada a 24 de Janeiro, o que motivou uma entusiasmada troca de argumentos, sobressaindo a ideia comum de que o lançamento do tema pelo Governo Francês foi inoportuno, falacioso em razão da aproximação das eleições regionais e perigoso, pois imediatamente revela o que há de mais baixo nos espíritos de uma certa classe de indivíduos: a xenofobia e o racismo, principalmente dirigido aos originários dos países do Magreb. Embora se tenha reconhecido que os portugueses de França não sejam muito afectados por esta problemática, considera-se que este debate é contraproducente e incomodativo.Lamentou-se que o PS Francês não tenha tido uma intervenção mais categórica para contrariar a iniciativa do Ministério francês.Foi sugerido que um texto seja redigido e enviado ao PS Francês e Português para dar a conhecer a opinião desta secção...”
Também no que diz respeito à situação recente em Portugal se chegou à seguinte conclusão:
“... o grave momento que atravessa Portugal em vários domínios, sendo o que mais nos preocupa a guerra cerrada urdida pelos partidos políticos de oposição e pelos Média, ao camarada José Sócrates. Lamentamos profundamente que não se reconheça tudo quanto o Camarada Sócrates tem feito de corajoso e positivo para o País e que, por motivos baixamente partidários ou de procura de poderes pessoais, se exponha Portugal a um agravamento da crise que vem vivendo e que na maior parte não pode o actual Governo assumir a responsabilidade. Lamentamos tanto mais, quanto esse tipo de atitude emana de partidos ditos de esquerda, alguns com história respeitável, que se prontificam a jogar o jogo dos verdadeiros inimigos, desde que isso lhes sirva de trampolim... para ninguém sabe o quê...”
Esperamos agora que a próxima reunião seja ainda mais rica, mas isso só com a vossa presença é que é possível.
Aurélio Pinto
Votre opinion nous intéresse, envoyez-nous-la à la section: psp09paris@free.fr
Vamos Ver:
Próximas reuniões :
Todas as reuniões (salvo informação contrária) são no Restaurante
Destaque :
AIDEZ le MADERE
Chers camarades,
Si vous souhaitez participer à l’élan solidaire d’aide à la reconstruction de l’ile du Madère, vous pouvez appuyer l’initiative de notre camarade Parcídio Cunha Peixoto, coordinateur de la section des Yvelines et Conseiller des Communautés Portugaises.
Il suffit d’envoyer vos dons au n° de compte 08001086224 «Solidarité Haïti» ouvert à la Caisse d'Epargne, par le Secours Populaire Français,
9-11, rue Froissart, 75140 - Paris CEDEX 03, partenaire de l’initiative.
Pour que vos dons soient affectés au Madère il suffi de noter MADERE et le n° du compte (08001086224) au dos du chèque.
Si vous envoyez des espèces, signalez tout de même le N° de compte, Madère et votre adresse pour que le reçu vous soit envoyé.
Vous pouvez également aider Haïti, dans ce cas ne mentionnez pas Madère.
Pour plus d’informations :
Parcídio Cunha Peixoto
Conseiller de la Communauté Portugaise
Tél., Fax: 01 39248269
Mob.06.86.l6.l6.80
Almeida Santos diz que “há uma estratégia” contra Sócrates
O presidente do PS, Almeida Santos, afirmou hoje, sábado, que "há uma estratégia" contra José Sócrates e que o primeiro-ministro, a propósito do processo "Face Oculta", está agora a ser alvo da quarta acusação grave "sem provas".Almeida Santos falava aos jornalistas à entrada para a reunião da Comissão Nacional do PS, órgão máximo deste partido entre congressos.Interrogado sobre o eventual envolvimento do primeiro ministro na tentativa de compra da TVI pela PT, Almeida Santos reivindicou a sua qualidade de jurista e frisou que "quem acusa prova"."Ele [José Sócrates] não tem que defender-se de provas que ainda não foram apresentadas. Estamos perante uma inversão do ónus da prova. Onde está a acusação contra Sócrates?", interrogou-se o presidente do PS.Para Almeida Santos, "é evidente que há uma estratégia contra José Sócrates" e referiu-se indirectamente a outros processos em que o primeiro-ministro foi alvo de acusações, como os casos "Freeport" e da Universidade Independente. "Vamos na quarta acusação grave [contra José Sócrates] e já provaram alguma coisa? A primeira falhou, a segunda falhou, a terceira falhou e a quarta também vai falhar", disse.In JN, 20/02/2010
Não temos nada a temer com a divulgação de escutas
O secretário-geral do PS afirmou hoje na Comissão Nacional, que nada teme sobre a divulgação de escutas no processo “Face Oculta” e advertiu que recusará que o Orçamento seja desvirtuado.
"Não temos nada a temer com a divulgação de escutas", disse José Sócrates, citado por membros da Comissão Nacional do PS.Neste ponto, tal como já havia feito na reunião de quinta-feira com o Grupo Parlamentar do PS, José Sócrates voltou a insurgir-se contra "as violações do segredo de justiça" no processo "Face Oculta" e afirmou que a campanha em curso "representa um ataque" aos sistemas democrático e judicial.Segundo fonte do PS, a segunda parte da intervenção do secretário-geral socialista teve uma componente económica.José Sócrates advertiu que não aceitará que a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2010 seja "desvirtuada" pelas forças da oposição nas votações na especialidade.Nesta reunião, o secretário-geral da UGT, João Proença, e os eurodeputados socialista Edite Estrela e Correia de Campos fizeram intervenções "inflamadas" em defesa de José Sócrates, considerando que está a ser alvo de "insinuações" e "mentiras".
In DE, 20/02/2010
Sócrates aponta Mandela como exemplo
"Eu confio muito em mim e por confiar muito nas minhas capacidades e nas minhas convicções, dizem que sou autoritário". Quem o disse foi José Sócrates, quinta-feira à noite, na reunião com os deputados do PS, a primeira desta legislatura, e na sequência dos encontros agendados esta semana com as estruturas partidárias, e que culmina hoje com a reunião da Comissão Nacional.Serviu a explicação para aconselhar os socialistas presentes - António José Seguro foi operado esta semana, pelo que não compareceu - a verem o filme de Clint Eastwood "Convictus", que logo alguém emendou para "Invictus", sobre a ascensão do líder do Congresso Nacional Africano (ANC), e primeiro presidente da África do Sul, Nelson Mandela.Aos presentes, o secretário-geral apontou Mandela como "o exemplo de uma verdadeira liderança", já que, "por vezes, liderar é ir contra a vontade daqueles que nos rodeiam". E se a Oposição quer que o PS tenha outro líder "Azar! Porque o líder sou eu".Muito "confiante" aos olhos de quem assistiu, o líder voltou a negar que tenha feito qualquer acção de condicionamento à comunicação social e gracejou até que felizmente nunca falou com Armando Vara sobre Cavaco Silva, porque decerto que a conversa iria aparecer nas alegadas escutas. A primeira intervenção coube a Marques Júnior - conotado com a ala mais à Esquerda do partido - em que, de forma muito emotiva, apelou a que o PS não se vire para dentro, mas para fora, para dar resposta os problemas do país, não bastando falar sobre os problemas, mas ser preciso trabalhar para os resolver.O ex-presidente da Câmara de Viana do Castelo, Defensor de Moura, pronunciou-se no mesmo sentido, tendo outros oradores apontado a Sócrates a necessidade de dar mais atenção ao partido e de o ouvir, amiúde. José Manuel Ribeiro (Porto), Ricardo Gonçalves (Braga) e Miguel Freitas (Algarve) foram os deputados que, com mais veemência, defenderam a ideia de que haja mais partido e mais grupo parlamentar na definição da estratégia - que tem ficado, em exclusivo, reservada ao Governo - reclamando também uma presença mais frequente do líder.Na resposta, Sócrates desvalorizou terem passado tantos meses sem reunir as suas "tropas". Justificou não ter querido marcar uma reunião na véspera do Carnaval, afirmando que, muitas vezes, "as circunstâncias condicionam-nos".De qualquer modo, garantiu não ser necessário deslocar-se ao Parlamento para reunir com os deputados porque está sempre em contacto com o líder parlamentar, Francisco Assis, encontrando-se a par do que se passa."Proveitosa" foi como um deputado sintetizou ao JN a reunião, mais que não fosse por ter criado "um espírito de conjunto".
In JN, por Alexandra Marques, 20/02/2010
Assis critica «jogo de insinuações» de Ferreira Leite
O líder parlamentar do PS, Francisco Assis, criticou a presidente do PSD por fazer afirmações que contribuem para transformar a política numa «confrontação de caracteres» e num «jogo de insinuações» Francisco Assis falava aos jornalistas no final da reunião do grupo parlamentar do PS com o secretário-geral do partido, José Sócrates. Em entrevista à RTP, a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, acusou o primeiro-ministro, José Sócrates, de continuar «a mentir ao negar ter tido envolvimento no processo de compra da Media Capital por parte da PT. Num comentário a esta posição da líder social-democrata, o presidente do grupo parlamentar do PS criticou este «tipo de afirmações, que em nada contribuem para dignificar a vida política em Portugal». «Quando a política se transforma numa confrontação de caracteres e num jogo de insinuações, inevitavelmente entra numa espiral de degradação», reagiu Assis. Para o líder parlamentar do PS, os portugueses esperam que os políticos se «concentrem nos problemas reais do país». «A nossa preocupação é garantir a aprovação final do Orçamento para 2010 de acordo com os compromissos do Governo e do PS e que constam da proposta que deu entrada na Assembleia da República», contrapôs. Sobre o teor da declaração feita hoje por José Sócrates, a propósito da divulgação de escutas no âmbito do processo Face Oculta, o presidente do grupo parlamentar do PS rejeitou a leitura de que essa declaração do primeiro-ministro terá servido para sossegar os socialistas. «O partido já estava sossegado. Diria agora que o grupo parlamentar do PS ficou satisfeito», comentou. Nas declarações que fez aos jornalistas, Francisco Assis adiantou ainda que as reuniões entre deputados socialistas e José Sócrates serão a partir de agora mais frequentes. «Nesta reunião, os deputados [socialistas] disseram o que quiseram. Foi uma excelente reunião», sintetizou Francisco Assis.Lusa / SOL
Sócrates apela a união do PS pela “decência” do discurso político
O secretário geral do PS marcou hoje presença em mais um encontro de apelo à unidade partidária, pedindo aos militantes do Porto que lutem pela «elevação» do discurso político.O secretário geral do PS, José Sócrates, marcou presença este sábado em mais um encontro de apelo à unidade partidária, no Porto, antes de partir para a Madeira para se inteirar dos estragos do temporal. José Sócrates apelou, entre os militantes do distrito do Porto, à “luta” do PS pela pela «decência», «dignidade» e «elevação» do discurso político.A reunião de militantes do PS onde José Sócrates participou teve lugar na Alfândega do Porto e antes do seu início foi feito um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da Madeira.Sócrates teceu duras críticas «à sucessão de publicação de escutas telefónicas», considerando que «é um crime» e garantindo que «o partido e este secretário geral não temem nenhuma divulgação de escutas».«Sinceramente o pior é a indignidade daqueles políticos que não hesitam em utilizar esses crimes para atacar os seus adversários políticos. Isso nunca tinha acontecido no passado e acontece agora», condenou o primeiro-ministro.Sócrates afirmou que se tinha deslocado «ao Porto para mobilizar o PS e para convocar o partido socialista para a intervenção no debate político e no debate público em Portugal».«O dever de um grande partido como o PS é recusar a política que se baseia no ódio, no ataque pessoal e no insulto", afirmou, sustentando que "esses que recorrem ao ataque pessoal e ao insulto, o que mostram perante todos é que já desistiram do país para se concentrarem apenas no exercício da calúnia».«Esses não venceram nem vencerão», acrescentou.Para Sócrates é «absolutamente evidente é que todos esses que recorrem a actos desesperados de ataque aos outros, verdadeiramente ainda não aceitaram o resultado das eleições e ainda não encaixaram a derrota».«O partido socialista nunca diz que o povo se enganou, não se zanga com o povo e por uma simples razão: porque o PS é o partido do povo e está aqui para servir o povo português e para estar ao seu lado».Por este motivo, Sócrates considera que se deve «pôr estes assuntos de lado», salientando para a necessidade de uma concentração naquilo que são os problemas do país.A retoma económica foi também um dos temas abordados no discurso, com Sócrates a sublinhar que Portugal fechou 2009 «com melhores resultados na economia do que os restantes países europeus».«A economia europeia desceu, em função da crise mundial, quatro por cento, enquanto que a economia portuguesa desceu apenas 2,7%», disse, considerando que estes valores significam que Portugal «resistiu bem à crise».O primeiro ministro explicou ainda quais os principais investimentos do Governo, referindo a saúde, as escolas, as barragens, as creches e as infraestruturas como sendo prioridades.«O PS vai lutar pela decência na vida pública portuguesa e vai lutar também para que nesse debate público estejam presentes verdadeiramente os desafios e as opções do nosso país, as questões que interessam ao desenvolvimento», concluiu Sócrates.O encontro contou com a presença, entre outros, do líder da bancada parlamentar socialista, Francisco Assis, do Ministro da Justiça, Alberto Martins e do líder da Federação do PS/Porto, Renato Sampaio.
Eleições Presidenciais:
Com o intuito de vos facilitar o acesso à informação, e como já fizemos aquando as eleições legislativas e autárquicas, damos início a mais uma rubrica neste site.
Por aqui passarão as informações mais relevantes relativas às próximas eleições presidências, sob forma de comentários redigidos e publicados sob a responsabilidade dos autores, ou de cópia de artigos publicados na imprensa, ou de links de envio a outros Sites ou a jornais.
Mas não esqueça, o principal é ir votar!
Alegre já tem «sinais suficientes» para decidir candidatura
Quase no fim da sua visita privada a Angola, Manuel Alegre procurou evitar falar da sua candidatura à Presidência da República, mas garantiu que a decisão final não depende de apoios «deste ou daquele».
Em entrevista à Lusa, RTP, Sol e ao jornal angolano Novo Jornal, Manuel Alegre disse já ter «os sinais suficientes» para tomar uma decisão, até porque já foi a votos uma vez «sem sinais nenhuns» e ficou a 29 mil votos de uma segunda volta.
«Tenho os sinais suficientes para tomar uma decisão... já fui a votos uma vez, sem sinais nenhuns e fiquei a 29 mil votos de uma segunda volta, já tive os sinais suficientes, mas não é isso que está em causa, o apoio deste ou daquele», disse.
Diário Digital / Lusa 9/03/2010
Renovação Comunista anuncia apoio a candidatura de Manuel Alegre
O movimento político Renovação Comunista anunciou hoje que "apoia convictamente" a candidatura presidencial do histórico socialista Manuel Alegre, afirmando ser "uma oportunidade de o país reencontrar a esperança e a mobilização para um novo desígnio".
"A candidatura de Manuel Alegre é sem dúvida uma oportunidade de o país reencontrar a esperança e a mobilização para um novo desígnio ao mesmo tempo ancorado no realismo e na consciência das dificuldades programáticas e de diálogo entre várias sensibilidades", divulgou a direcção do movimento, em comunicado.
Apesar da "natureza suprapartidária", a candidatura de Alegre tem capacidade para "mobilizar e congregar vontades hoje ainda dispersas na esquerda e no centro-esquerda", destacou o movimento.
In Lusa, 20/02/2010
"Não serei candidato em nome de nenhum partido"
No dia do arranque oficial do centenário da Primeira República, Manuel Alegre almoçou com apoiantes no Porto. O histórico socialista reafirmou no seu discurso que está na corrida a Belém e que quer ser uma referência para renovar a confiança nas novas gerações.
Manuel Alegre disse ainda que “a próxima eleição presidencial vai condicionar, ou melhor, já está a condicionar a vida política do país”, realçando que não será “candidato em nome de nenhum partido”. O ex-deputado não quer com isso negar o seu “percurso, convicções e afectividades partidárias”. “Rejeito rótulos e simplificações perversas”, frisou o socialista.
“Défice de sonho”
“O défice de esperança e de sonho das novas gerações” foi um dos problemas enumerados por Manuel Alegre no seu discurso. “Se alguma dúvida tinha a uma eventual candidatura o que acima de tudo me decidiu foi a obrigação de lutar com todas as forças para que as novas gerações recuperem a confiança em si mesmas”, afirmou.
Manuel Alegre deixou claro que não se apresenta “como um salvador da pátria”, realçando o poder “da palavra e do exemplo” inerentes ao cargo de Presidente da República. “Não me candidatarei para governar”, completou.
O Orçamento do Estado também esteve presente no discurso de Alegre que caracterizou como “racismo económico” a forma com que algumas empresas de rating estão a apontar o défice do país. “O Orçamento Geral do Estado é elaborado pelos órgãos competentes eleitos pelo povo português e não por empresas privadas ao serviço de estratégias comerciais”, sublinhou.
In SAPO, 31/01/2010
"Pela primeira vez é possível derrotarmos Cavaco"
O líder parlamentar do PS, Francisco Assis, afirmou ontem que o partido deve estar unido para derrotar Cavaco Silva nas próximos eleições presidenciais de 2011.
"Temos de nos concentrar, porque pela primeira vez na história é possível derrotarmos o professor Cavaco Silva", afirmou Francisco Assis durante um encontro com militantes do PS, realizado quinta-feira à noite, em Sintra.
Para o líder parlamentar, é "essencial" que o partido esteja unido na altura de declarar apoio a um candidato "seja ele qual for", uma vez que "o professor Cavaco Silva é derrotável".
"Não conheço ninguém que votou nele e que mostre vontade de voltar a votar e já conheço algumas pessoas que votaram nele e que agora dizem que não o voltarão a fazer", sustentou.
Embora não revele apoio a Manuel Alegre, o único que já confirmou a sua candidatura para as próximas presidenciais, Francisco Assis admite que "é preciso ter o apoio de toda a esquerda".
"As eleições não se vencem se a esquerda não estiver unida. O pior que nos pode acontecer é voltarmos a ter dois candidatos à esquerda", afirmou o líder parlamentar.
Contudo, Francisco Assis realçou que "o PS não se deve precipitar com declarações definitivas nem negativas, seja em relação a quem for".
"Haverá um momento em que faremos uma avaliação e declararemos o candidato que apoiamos", sublinhou.
Os militantes presentes no encontro mostraram-se divididos em relação ao apoio a Manuel Alegre.
Houve quem considerasse que o poeta esteve "ausente quando partido mais precisou dele", mas também houve quem se manifestasse a favor de uma única candidatura à esquerda porque "dois candidatos dariam, certamente, novamente a vitória a Cavaco".
In Económico com Lusa, 29/01/2010
Notícias da semana:
A "asfixia" democrática e o "plano" contra a liberdade
Novos líderes políticos não se arranjam na fábrica do Bordalo.
1.Alguma imprensa, escrita, falada e televisões, parece pensar que um Governo legitimado pelo voto popular pode cair por pressão da comunicação social, ou seja: pelo movimento de opinião pública que tenta desencadear, con- tra o primeiro-ministro, utilizando títulos sensacionalistas e distorções obsessivas de fugas ao segredo de justiça, que ninguém sabe como foram obtidas, até porque são ilegais. Ora não pode nem de- ve, salvo o devido respeito. Seria a subversão da própria democracia, que tanto prezamos.
Com uma única excepção: o cansaço, o enjoo político ou a depressão que tal campanha pudesse provocar no primeiro-ministro. O que já aconteceu no passado. Duas vezes, que me lembre: com António Guterres, enojado pelo "pântano"; e com Durão Barroso, quando resolveu "fugir" para Bruxelas, depois de ter prometido aos portugueses, pelas televisões, que ficava por ter compreendido o voto dos eleitores e se dispor a mudar as políticas…
Não parece ser o caso de José Sócrates, teremos de reconhecer. Nesse aspecto, tem sido um exemplo de determinação, de coragem e de resistência. Tem aguentado os ataques, por mais injuriosos que sejam, as insinuações mais graves e até as veladas ameaças.
Apetece, com isenção, perguntar: há provas contra ele? Se há, porque não as apresentam no lugar próprio - os tribunais - e esperam, sem mais acusações, pela decisão da justiça? Porque entendem dever antecipar-se, a quem de direito, promovendo sucessivos julgamentos na praça pública que, como se sabe, só servem para descredibilizar os que neles participam, claro, a justiça e, finalmente, mais tarde ou mais cedo, a comunicação social?
O exemplo do que se tem vindo a passar na Itália, nos últimos anos, é, nesse aspecto, paradigmático. Será que a imprensa, em sentido lato, os políticos e os comentadores - que utilizam as "fugas" para aparecer nas televisões - querem para o seu país uma deriva pseudodemocrática de tipo berlusconiana?
As teorias da "asfixia" democrática, inventada por uma líder partidária, e do "plano" para amordaçar a liberdade de imprensa, havemos de convir que não fazem sentido. Por isso, não convencem os cidadãos comuns, por maiores que sejam as manchetes dos jornais, depois repetidas, comentadas e ampliadas pelas televisões.
O povo português viveu 48 longos anos sem liberdade, sujeito a uma censura rígida - e a uma repressão política e social cruel - para se deixar agora enganar. Mesmo as gerações que surgiram já depois da Revolução dos Cravos. Porque estas conhecem a história e conservam a memória que existe em quase todas as famílias, do que foram esses ominosos tempos.
Alguns anónimos bloguistas promoveram uma manifestação, em frente da Assembleia da República, para protestar contra o Governo Sócrates a pretexto da "asfixia democrática". Foi um flop! Sabem quantos manifestantes compareceram? Pouco mais de cinquenta, contando com os "mirones"… Os jornais e rádios, que anunciaram a manifestação, tiveram o bom senso de não a comentar. Fizeram bem. Poucos portugueses acreditaram na veracidade da "asfixia". Todos os dias lêem os jornais, ouvem as rádios e vêem as televisões. Que diabo?! Está em perigo a liberdade de imprensa? A última sondagem, publicada no Expresso, comprova a falsidade da acusação, dado que o primeiro- -ministro continua a subir nas sondagens, mais dois pontos, bem como o PS. A vitimização da sua figura é tão excessiva que só pode ser desfavorável a quem a faz… Como tem sucedido!
De resto, o partido que apoia o Governo - o PS - é bem conhecido do povo português, que sempre votou nele em todas as eleições, desde que há democracia, mesmo nos momentos em que as circunstâncias lhe eram mais desfavoráveis. Como nas últimas eleições legislativas e autárquicas voltou a acontecer, mais uma vez, contra as previsões de alguns. Não se pense que um partido, com a tradição do PS, possa ser comido em talhadas pela esquerda radical… Tentativas passadas bem o demonstraram.
Acrescente-se que o PS foi sempre - e continua a ser - o Partido da Liberdade. Antes e depois da Revolução. Alguém se esquece do PREC e do caso República, com o seu valente director, Raul Rego, sequestrado, à janela do seu jornal, a saudar a multidão, que o queria libertar? O PS tem uma memória que os portugueses não esquecem, mesmo quando, por uma ou outra razão, se zangam com ele. Não será agora que aqueles que o quiseram calar - ou se mantiveram num silêncio cúmplice - durante o PREC, e o atacam de novo, coligados aliás com a direita, irão consegui-lo.
O PS sempre foi - e será - um partido defensor das liberdades políticas. São os seus genes e a sua filosofia de base. Bem como a defesa dos mais desfavorecidos, da segurança social, do serviço nacional de saúde, criado por António Arnaut e por Mário Mendes, do desenvolvimento sustentado, da defesa dos direitos humanos, do Estado de direito e, consequentemente, da independência da justiça. Talvez por reconhecerem isso, em consciência, é que algumas vozes adversárias se têm erguido com a intenção de dividir o PS procurando separá-lo do seu secretário-geral, José Sócrates. Dizem que o PS é razoável, até pode governar em minoria relativa, o mau é Sócrates, o inimigo a abater. Pretendem, assim, criar, de fora para dentro, uma fronda no PS, contra o seu líder.
Tarefa impossível. Esquecem que o primeiro-ministro foi relegitimado há pouco tempo pelo eleitorado. E que José Sócrates, foi também relegitimado, pelos militantes do PS, no último congresso, que o reelegeu secretário-geral, por grande maioria. Não creio que haja militantes do PS, neste momento nacional tão crítico, disponíveis para se lançar numa tal aventura…
2.A crise europeia. De novo. Pondere-se, caramba, nos ensinamentos da situação grega. A União Europeia está a sofrer o primeiro ataque, da sua história, ao euro. As suas fragilidades começam a estar à vista. As bolsas europeias voltaram a entrar em perigosa turbulência. Van Rompuy saiu do seu silêncio e elaborou um plano, com a Senhora Merkel e o Presidente Sarkozy, para salvar a Grécia e também o euro. Marcou pontos, reconheço. Alguns técnicos reclamam a criação de um Fundo Monetário Europeu.
Enquanto isso, Portugal, em vez de reflectir no que se passa na sua terra - como resolver a crise e a ultrapassar - passa semanas a discutir uma crise política artificial. Com a intenção de alguns de a agravar a todo o preço. Ignorando soberanamente as dificuldades que aí vêm e como as combater. É de loucos!
3.Não é fácil derrubar um Governo legítimo. Sobretudo em democracia, no Parlamento, porque a direita parece não querer arriscar a apresentação de uma moção de censura. Já uma vez foi tentada, com más recordações para todos. E fora do Parlamento, então, é impossível. Mormente num momento de crise económico-financeira aguda e importada, com o maior partido da oposição dividido, paralisado e em vésperas de congresso. Não se prevendo de antemão quem será o novo líder e temendo-se que o congresso possa tornar-se num combate fratricida, em que avultam as ambições pessoais e escasseiam as ideias quanto ao futuro. Ainda por cima, a menos de um ano de eleições presidenciais, complexas. Pergunto: A quem convém, num tal contexto, derrubar o Governo e provocar novas eleições? Sejamos francos. Quando o Governo, uma vez derrubado, por imperativo constitucional, no quadro parlamentar actual, teria de ficar, provavelmente, em gestão, até à realização de novas eleições? Aos Partidos, com certeza, não, tanto aos da direita como da esquerda, incluindo o PS. Ao Presidente da República, ainda menos, por todas as razões. E para os empresários, o mundo do trabalho, os desempregados, para todos, seria uma verdadeira catástrofe. A abertura para o caos, por tempo indeterminado. Não deve este panorama, tão sério e grave, ser tomado em conta? Num momento em que a União Europeia segue, com tanta atenção, o nosso percurso político, económico e social, com o exemplo da Grécia sempre presente?
É o que explica, de resto, que depois de sessões do Parlamento tão inflamadas e agressivas - onde a irresponsabilidade parece ter sido a regra - os partidos da direita tenham viabilizado, na generalidade, o Orçamento e os da esquerda - se os entendi bem - tenham suspirado de alívio, depois de engolir o enorme sapo de apoiar as pretensões da Madeira…
É certo que se tem visto de tudo, por mais inconsistente que seja. Não assistimos à diatribe, contra o Governo português, feita no Parlamento Europeu, por um deputado português, com ambições a líder partidário e, imagine-se, a primeiro-ministro?
O eleitorado está farto de perceber que as eleições, neste momento, não aproveitariam a ninguém. O Programa de Estabilidade e Crescimento, até 2013, ainda nem sequer é conhecido. Não há alternativas credíveis ao Governo PS. Há muitos que fazem diagnósticos, alguns extremamente pessimistas, mas poucos que indiquem as terapêuticas possíveis e que tenham a coragem de meter a mão na massa e, em sentido figurado, oferecer o peito às balas.
Aliás, novos líderes políticos demoram tempo a aparecer. Não se arranjam, já feitos, na antiga fábrica do Bordalo, nas Caldas da Rainha. Já o diziam alguns políticos sensatos do liberalismo, em que se viveram também tempos difíceis…
In DN, por MARIO SOARES, 16/02/2010
Companheiros de Alberto João Jardim
Jornalistas portugueses conquistaram alguma liberdade de acção nas últimas décadas. Não sei se conquistaram uma verdadeira liberdade de imprensa. Talvez sim, talvez não... Sei é que cada centímetro perdido neste ter-reno dificilmente voltará a ser recuperado.Portugal precisa de contraditório público ao poder (ou poderes) mesmo que tenha por detrás o trabalho subterrâneo de outro poder (ou de outros poderes) como, já ouvi insinuar, teria acontecido na chamada "perseguição a Sócrates" levada a cabo pela TVI e/ou pelo semanário Sol.
Impedir a flutuação pela opinião pública de notícias que põem em xeque os poderosos, desde que estejam ancoradas num rochedo de verdade (e mesmo que essa rocha tenha sedimentos de traficância, engano, ilusão, promiscuidade e sacanice), significa abrir mais caminho para o abuso do poder; significa menor capacidade de fiscalização e controlo desse mesmo poder; significa permitir a perpetuação de tiranetes abençoados pelo voto.
A informação livre é como uma vacina: utiliza toxinas, bactérias e vírus para combater uma doença. Pode não ser um processo bonito, pode até ser um pouco perigoso, mas funciona e não há substituto mais seguro.
Portanto, ainda bem que ficámos a saber que um grupo de idiotas do PS montou uma infame operação de eliminação de Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz do comando da TVI. Um facto incontestável.
Contestável é a turba de políticos, comentadores profissionais e jornalistas repetir horas e horas a fio, numa chinfrineira acéfala, acrítica, ignorante e insensata, opiniões e conclusões incrivelmente assombrosas.
Pelo que vi na TV, o País - sim, é Portugal inteiro, pois o tom desta gente não admite contestação - pensa que há censura prévia em Portugal. O País acha mesmo que o golpe dos mentecaptos, para além da TVI, abarcava a Impresa, a Cofina e esta casa onde trabalho, a Controlinveste. O País, depois de ler o Sol de sexta-feira, ficou cheio de certezas, eliminou todas as dúvidas sobre os tentáculos do "polvo". O País ignora que, no seu tempo, Mário Soares interferiu na imprensa. E Cavaco Silva. E Guterres. E Durão. E Santana...
O País que me desculpe, mas quando vejo Alberto João Jardim, putativo tirano do Funchal, surgir na linha da frente dos defensores da liberdade de imprensa, barricado ao lado de Pacheco Pereira, um batalhão dogmático de jornalistas em ajuste de contas e um contingente de comentadores oficiais do regime, sou obrigado a concluir que o País está estúpido.
In DN, por PEDRO TADEU, 16/02/2010
Sócrates reúne PS para afastar fantasma da sucessão
Primeiro-ministro tenta reforçar posição convocando órgãos máximos do PS. No partido, já se fala de moção de confiança.Acossado pelos ataques que têm sido dirigidos à sua pessoa, José Sócrates convocou ontem os órgãos máximos do partido para definir uma estratégia de contra-ataque comum. O processo "Face Oculta", as escutas, as providências cautelares e a estabilidade governativa são alguns dos assuntos que vão ser debatidos em reuniões onde o primeiro-ministro não vai ceder nem um milímetro: vai exigir "união" e mostrar que tem condições para continuar a liderar o País e o PS.
Após ter sido acusado de estar envolvido num esquema para controlar os media, o primeiro- -ministro inicia amanhã uma verdadeira odisseia de encontros, começando por se reunir com a cúpula do partido: o restrito Secretariado Nacional. Seguem-se, até ao final da semana, reuniões com o grupo parlamentar, a Comissão Nacional e ainda um grupo de militantes da federação distrital do Porto.
Os encontros têm como objectivo recolocar José Sócrates na posição de líder indiscutível. O artigo assinado hoje no DN por Mário Soares (ver página 51) e as declarações de António Vitorino ontem na RTP mostram o caminho que está a ser preparado pelo partido: o de apoio incondicional ao líder. O histórico socialista lembra a "determinação, coragem e resistência" de Sócrates e dispara: "Novos líderes políticos (...) não se arranjam na fábrica do Bordalo."
Também António Vitorino disse ontem que "José Sócrates não vai abandonar o barco" e que "não há nenhum movimento no PS para o substituir". Aliás, as reuniões têm também como objectivo eliminar os rumores da sua sucessão que têm sido comentados (ainda que baixinho) no Largo do Rato.
A eurodeputada Edite Estrela, que já tinha feito um apelo a que o PS tomasse uma decisão "rapidamente" quanto aos "ataques à democracia", confirmou ao DN que estará presente na reunião do Secretariado Nacional onde não terá contemplações "para falar sobre a actual situação política".
Apesar de o PS se preparar para reforçar o seu apoio ao líder, o actual quadro parlamentar faz com que sejam equacionados todos os mecanismos, incluindo a moção de confiança.
Em declarações ao DN, um dirigente da bancada socialista advertiu que "se a oposição continua a fazer coligações negativas que provocam despesa e o agravamento da dívida do Estado, o Governo terá de recorrer a posições mais extremas e a moção de confiança pode ser uma possibilidade".
Por outro lado, Luís Capoulas Santos, que juntamente com o número dois do PS, António Costa, desafiou a oposição a apresentar uma moção de censura no Parlamento, considera "absurdo" a apresentação de uma moção de confiança. "O Governo não precisa de ter a confiança de ninguém, pois tem a confiança dos portugueses, mostrada nas urnas. Quem tem criticado o Governo é o dr. Capucho e o dr. Jardim, o partido deles que apresente uma moção de censura", defende o vice-presidente da comissão política do PS.
A moção de confiança (ver caixa) é um pau de dois bicos. Se o Governo avançar com uma moção de confiança coloca em risco a sua continuidade, mas, ao mesmo tempo, encosta a oposição à parede. Isto porque, se a oposição viabilizar a moção, reforça o Governo, se chumbar, derruba o Executivo e pode ser responsabilizada pela instabilidade.
In DN, por RUI PEDRO ANTUNES, 16/02/2010
Procuro, procuro... e não encontro!
Por mais que procure à minha volta e na memória, não há maneira de encontrar alguém que nunca tenha mentido!O homem é assim, desde criança mente quando acha necessário, ainda que inconscientemente, para evitar de levar uns tabefes do pai ou da mãe; para convencer os amigos que ele (ou o pai) é o melhor, o mais forte, o mais rico etc. Mais tarde toda a gente mente minha gente! As gabarolices da vida amorosa são invariavelmente mentira, os altos feitos desportivos, também numa grande percentagem. As mães dizem às vizinhas que os filhos tiveram muito boas notas, mais tarde que arranjaram grandes situações; os que foram para o estrangeiro estão podres de ricos. Nos empregos mente-se, para agradar, para vender, para convencer, para não pagar, para ser aumentado, para subir, para subir...
Com a prática atinge-se um patamar de escolha, mentira construtiva ou destrutiva, mas...
Com um certo pudor, toda a gente mente, minha gente.
Só os políticos é que não!
Até parece que estou a tentar fazer uma crónica humorística, mas não, seria impossível, estando dado o que se passa em Portugal. O país vem sofrendo de tantos males há muitos anos, basta só ler a nossa História a partir da implantação da República. Portugal tem passado de instabilidade a crise, de crise a instabilidade, depois ao fascismo que amordaçou todos e tudo, economia, indústria, cultura, artes; e o colonialismo, que para além da economia já em mau estado, ia arrasando definitivamente a juventude. Em Abril de 1974 nasceu a esperança, começou a poder respirar-se. Momentos maus, momentos melhores, mas o país foi progredindo. Há quem diga que não, mas é mentira. E foi a partir dessa altura (25 de Abril) , que com a Liberdade se passou a mentir ainda mais descaradamente. Toda a gente se acha no direito de afirmar seja o que for, sobre seja quem for, livremente e agora descaradamente. Conta-se a História ao contrário, atribuem-se os seus próprios defeitos àqueles a quem se quer causar dano, inventam-se coisas do arco da velha a propósito de tudo e de nada, em toda a liberdade, certos da sua impunidade. Em período de campanhas eleitorais, já se sabe que aqueles que muito prometem estão forçosamente a mentir. Aí cada cidadão pode sancionar com o seu voto. Mas depois, quando nas eleições não se atingem os objectivos e se envereda pelo caminho da calúnia para destabilizar o adversário (hoje o Governo na pessoa do Primeiro-ministro) tratando-o de mentiroso, sem escrúpulos; inventando casos; pondo em cena casos banais para que se tornem casos capitais, sem ter em consideração o estado em que o país se encontra, sem medir as consequências de um agravamento da crise, principalmente quando fora do Governo não se vislumbra alguém com qualidade para fazer tão bem ou melhor. Quando nestes enredos se envolvem personalidades e partidos que só têm dado exemplos pela negativa e que dão mostras de um desentendimento interno confrangedor como o PSD, que aliás num passado recente mostrou ao Mundo como conduzir Portugal à penúria. Quando ainda para mais se coligam com outros partidos de valores (?) antipódicos, já não se lida só com mentiras. Será que agora vale tudo? E o interesse Nacional?
E para dar mais vulto ao desastre, os Média fazem eco e amplificam, sem a mais pequena parcela de profissionalismo, de consciência e de respeito por quem lê.
No meio de tanta treta, a única pessoa que merece alguma consideração e ajuda é o Eng.º José Sócrates.
Se não quiserem não me acreditem, mas olhem que eu não sou mentiroso!
Por Aurélio Pinto para Lusojornal
Português “para inglês ver”
As recentes declarações da nova Presidente do Instituto Camões, anunciando a possível extinção do ensino do português língua materna junto das Comunidades portuguesas, são chocantes, mas não me surpreendem. São chocantes, pelo que traduzem de insensibilidade ao valor e significado da língua materna para qualquer
povo, enquanto pilar estruturante da própria identidade e garante da realização e afirmação pessoal de todo e qualquer ser humano, incluindo o exercício pleno da
cidadania. No caso concreto, essas palavras chocam ainda pela incapacidade
que revelam de compreender a força da ligação afectiva a Portugal que só a língua permite manter e aprofundar, mas também pela ligeireza com que assim se hipoteca
a participação possível no desenvolvimento do nosso país dum capital humano cheio de potencialidades. Antes de prosseguir, convém salientar que a nossa língua me preocupa não só como cidadã portuguesa, mas também porque é parte integrante da minha vida profissional, como ‘Chargée de cours’ e depois Leitora, em Paris III (1972-1980), e desde então e até à minha reforma (2006), em Portugal, onde fui professora de Português e de Francês, visto que sou licenciada em Filologia
Românica. Porque não me surpreendem as declarações de Ana Paula Laborinho?
Em primeiro lugar, porque uma vida dedicada ao ensino do português me demonstrou amplamente que a nossa língua é, em geral, e contrariamente ao que se passa em França, tratada com muito pouco cuidado, respeito e carinho, pelos
nossos políticos, académicos e editores. Basta ver a falta de investimento na investigação conducente à produção de obras destinadas à formação e ao aperfeiçoamento constantes do grande público, designadamente bons dicionários, gramáticas, métodos, e outras obras de carácter didáctico. Não temos um único dicionário comparável ao Petit Robert! Não estou a falar dos manuais para os vários níveis de escolaridade, que são superabundantes e mais ou menos idênticos…
No ensino, a língua não é encarada na perspectiva da dignidade que lhe é própria, é sempre vista como um pretexto para qualquer coisa, por exemplo, para aplicar
intempestivamente modas pedagógicas, didácticas, literárias e/ou linguísticas, normalmente com efeitos desastrosos. Basta ver o estado de degradação a que chegou entre nós, situação já repetidamente denunciada por quem de direito, mas sem grande resultado. E atenção que vem aí a TLEBS (Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário)!...
Em segundo lugar, as ditas declarações não me surpreendem, porque apenas confirmam a outra vertente da nossa política de língua, que se vem implementando nos últimos anos e ultimamente de modo mais evidente e acelerado. Do mesmo
modo, deste ponto de vista, a língua portuguesa não vale por si e por nós todos os que a usamos, vale como “um instrumento de afirmação estratégica que transcende
a estrita dimensão da esfera linguística”, como disse Carlos Reis em entrevista ao JL de 16-29 de Julho de 2008.E disse também, na mesma entrevista: “(…) em espaços em que as Comunidades portuguesas registam uma presença importante, será de encarar com cautela e em termos devidamente ponderados a possibilidade de articular acções com os seus representantes, já que a actuação daquelas Comunidades se fixa sobretudo na questão do ensino do Português como língua materna, o que escassamente corresponde às preocupações de uma política de internacionalização do idioma”. No mesmo sentido, pode ler-se, mais adiante:
“Muito marcado, ao longo de décadas, pelo imaginário da emigração e mesmo da exclusão, o português, enquanto idioma de cultura, deve estar cada vez mais associado ao Portugal do presente, esbatendo as imagens do Portugal antigo, rural,
pobre e folclórico que tantas vezes, por razões certamente respeitáveis, dominou o universo das Comunidades portuguesas. Há indicadores que sugerem que essa imagem está a mudar; e as Comunidades portuguesas, conforme parece ser seu desejo, devem ser associadas a manifestações culturais que contrariem mecanismos de subalternização prejudiciais para a internacionalização da língua portuguesa”. Em nota de rodapé, pode ler-se: “O presente texto resulta de um estudo solicitado pelo Governo português e que foi por mim coordenado, contando com a colaboração de Ana Paula Laborinho, (…) e outros.
Não posso deixar de referir outra medida emblemática desta política de internacionalização da língua portuguesa, sobre a qual repousam todas as outras: o mais que inútil (porque não uniformiza nada), desastrado e perigoso Acordo Ortográfico, de que o mesmo Carlos Reis é também um acérrimo defensor.
Também nesta matéria, prevalece a perspectiva dos conselheiros que quem nos governa (Presidente da República, Governo, Deputados de todas as tendências) quer ouvir, ignorando ostensivamente os inúmeros pareceres de especialistas altamente qualificados que têm vindo a denunciar esta aberração, assim como a Petição/Manifesto em defesa da língua portuguesa e contra o Acordo, com 110.140 assinaturas (até 23 de Abril de 2009), que me honro de ter também assinado.
Perenemente inconformados com aquilo que somos, pouco vocacionados para o trabalho e o esforço que tornam grandes os outros povos e nações, estamos sempre à espera dum milagre que nos catapulte até aos píncaros com que sonhamos: última versão desta congénita megalomania – a internacionalização da língua portuguesa,
que já existe, aliás, sem que tenhamos feito grande coisa para isso! A este objectivo estamos dispostos a sacrificar a própria língua!
Termino citando Eduardo Lourenço, em “O Labirinto da Saudade – Psicanálise Mítica do Destino Português”, 5.ª edição, Publicações Dom Quixote: “A mprevidência
histórica de que várias vezes demos provas desde Álcacer Quibir à Descolonização, a eterna surpresa que sublinha as catástrofes mais evitáveis, o nacional grito de ‘pouca sorte’ com que comentamos os desastres que nós próprios elaborámos por inércia ou confiança infinita nas boas disposições da Providência, são só alguns dos aspectos com que mais brutalmente se manifesta a nossa riquíssima mentalidade
de pobres milionários por direito divino”.
In Lusojornal N° 242, por Maria José Abranches ex-Leitora de português em França
Centenário da República
As movimentações dos revolucionários começaram efectivamente no dia 4 de Outubro mas só no dia seguinte a Monarquia foi "substituída" pela Primeira República. Nesta imagem, os populares aclamam as forças revolucionárias.
Foto: Joshua Benoliel/Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
Na manhã do dia 5 de Outubro de 1910 foi içada, junto ao acampamento dos revoltosos, uma bandeira republicana.
Foto: Joshua Benoliel/Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
O Directório do Partido Republicano, composto por, da esquerda para a direita, Joaquim Ribeiro de Carvalho, jornalista, Marinha de Campos, oficial da Marinha, José Barbosa, Eusébio Leão, José Relvas, Malva do Vale e Inocêncio Camacho.
Foto: Joshua Benoliel/Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
A Família Real embarcou no dia 6 de Outubro, na praia dos Pescadores da Ericeira, com destino a Gibraltar.
Foto: José Artur Leitão Bárcia/Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
Notícias anteriores:
Ana Paula Laborinho tranquilizou Conselheiros
A Presidente do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho, garantiu aos Conselheiros das Comunidades Portuguesas que o Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) enquanto língua materna não vai acabar. “Nada será encerrado no que se refere ao
EPE”, assegurou a responsável no final de uma reunião com o Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas (CPCP), que teve lugar na semana passada em Lisboa. Em declarações aos jornalistas, Ana Paula Laborinho afirmou que “nada será descontinuado” e que o objectivo é fazer um “reforço da rede que
agora chegou ao Instituto Camões”. A articulação da rede, a dignificação do português e a certificação dos cursos de português (no estrangeiro) são outros dos objectivos do IC, indicou. Ana Paula Laborinho defendeu ainda que há uma rede do IC que “pode ser aproveitada para o EPE”, nomeadamente o Centro Virtual e os cursos de ensino à distância que estão a ser desenvolvidos. Na reunião, a Presidente do IC disse ainda aos Conselheiros que o Instituto Camões não vai ter “mais meios” para o EPE, pelo que tem de se “aproveitar melhor esses meios”.
À saída da reunião, o Presidente do CPCP, Fernando Gomes, mostrou estar mais descansado com a garantia da continuação do EPE como língua materna e satisfeito com a aproximação daquele órgão ao IC.“A partir de agora, o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) tem uma relação próxima, como parceiro
na divulgação da língua portuguesa”, disse o Conselheiro, afirmando que essa parceria vai traduzir-se em quatro encontros anuais.
Para Fernando Gomes, a mais valia do CCP é os seus membros estarem no terreno, conhecerem a realidade e saberem como “melhor aproveitar os recursos”.
Mais tarde, o Presidente do CPCP voltou a ser interrogado pelos jornalistas sobre esta matéria e disse que a “forma como o Governo irá tratar o Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) enquanto língua materna ainda suscita preocupação. Há uma
série de situações em que não está completamente afastada a nossa apreensão e a nossa preocupação”, declarou à Lusa Fernando Gomes.
Fernando Gomes referiu que, mesmo depois da reunião com a Presidente do IC, os representantes do Conselho não saíram “completamente esclarecidos” e continuam
“apreensivos”, mas confirmou que “houve uma abertura do Instituto Camões em realiza reuniões regulares com o Conselho Permanente”. “Já é um passo em frente, mas há uma série de dúvidas, a própria legislação em si, o próprio programa”, realçou. No documento final da reunião dos Conselheiros, o CCP escreveu “O CP
CCP regista as garantias dadas pelo Senhor secretário de Estado das Comunidades
Portuguesas e a Senhora Presidente do Instituto Camões, no sentido de confirmar a manutenção do eixo do Ensino da Língua Materna no quadro da nova estratégia da
política de ensino de português no estrangeiro. Regista também a disponibilidade
da Senhora Presidente do IC para que haja quatro reuniões de trabalho anuais com o CP CCP e a Comissão de Especialidade. Solicitasse a todos os Conselheiros que
acompanhem a implementação da nova estratégia do EPE junto dos responsáveis
das missões diplomáticas, de forma a podermos transmitir as eventuais dificuldades encontradas na prossecução das garantias dadas em matéria de continuidade do ensino do português como língua materna junto das Comunidades”.
In Lusojornal n°242.
Morreu Manuel Serra, um histórico do Partido Socialista
Manuel Serra, um histórico do Partido Socialista, morreu domingo à noite em Lisboa, com 78 anos, vítima de doença prolongada, disse hoje à Lusa a viúva.
O corpo estará terça feira a partir das 16:00 na igreja de Arroios, sendo cremado às 16:00 de quarta feira no cemitério dos Olivais.
Manuel Serra aderiu ao PS a 22 de Maio de 1974, depois de ter liderado o Movimento Socialista Popular.
No I Congresso depois do 25 de Abril, Manuel Serra apresentou uma lista à Comissão Nacional contra a proposta apresentada pelo secretário geral Mário Soares, e conseguiu quase 44 por cento dos votos dos congressistas.
O primeiro Secretariado Nacional, eleito em 21 de Dezembro de 1974, ainda incluiu Manuel Serra que, contudo, abandonaria o partido dias depois, na esperança de levar consigo os "44 por cento de militantes revolucionários, da classe trabalhadora".
In Diário Digital / Lusa, 2/01/2010
Manuel Serra era um «grande resistente à ditadura», diz Alegre
Manuel Serra foi «um homem sempre fiel às suas ideias» e um grande símbolo da resistência, declarou esta segunda-feira Manuel Alegre, comentando a morte do histórico socialista.
Manuel Serra foi «um homem sempre fiel às suas ideias» e um grande símbolo da resistência, declarou esta segunda-feira Manuel Alegre, comentando a morte do histórico socialista.
Manuel Alegre considerou Manuel Serra como «um grande resistente à ditadura» e «um grande lutador pela liberdade» que foi preso e «barbaramente espancado».
O histórico socialista destacou ainda a «generosidade» e a visão «romântica e muito generosa da vida» de Manuel Serra.
Já Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, afirmou à agência Lusa que a morte de Manuel Serra representa a perda de «um grande português, um convicto revolucionário e antifascista e um democrata de primeira água».
...
In TSF, 1/02/2010
Tudo o que vai mudar no IRS dos portugueses em 2010
Conheça as alterações propostas pelo Governo no âmbito do Orçamento do Estado.
I - Obrigações declarativas Dispensa entrega Declaração IRS
Amplia-se a dispensa de entrega da declaração de rendimentos para quem aufira rendimentos do trabalho dependente de montante inferior a € 4.104 (valor para 2010). Contribuintes que apenas tenham auferido este tipo rendimentos e em valor inferior ao valor mencionado, mas que tenham sofrido retenção na fonte sobre os mesmos, poderão entregar a declaração de rendimentos para assegurar a devolução do imposto retido.
Prazo de entrega das declarações de rendimentos
Foram reduzidos os prazos de entrega das declarações de rendimentos. Declarações em papel podem ser entregues em Março (apenas rendimentos do trabalho dependente e/ou pensões) ou Abril (restantes casos). Declarações electrónicas podem ser submetidas em Abril (apenas rendimentos do trabalho dependente e/ou pensões) ou Maio (restantes casos). Estas alterações, que reduzem os prazos actualmente em vigor até 15 dias, apenas terão efeito para entregas após 1 de Janeiro de 2011.
Redução do prazo de reembolso do IRS
As datas limite para emissão das liquidações de IRS passam a ser de 30 de Junho (apenas rendimentos do trabalho dependente e/ou pensões) ou 31 de Julho (restantes casos).
De acordo com o Relatório sobre a Proposta de Lei do Orçamento de Estado, existe uma intenção por parte do governo de uma diminuição adicional do prazo de reembolso do IRS para 20 dias, nos casos em que a declaração seja submetida por Internet e não se coloquem questões de fiabilidade da informação fornecida.
Simplificação do preenchimento da declaração de IRS
Nos termos do Relatório sobre a Proposta de Lei do Orçamento de Estado, pretende-se reduzir o esforço de preenchimento da declaração Modelo 3 de IRS via Internet, através da melhoria do respectivo pré-preenchimento, mediante inclusão de:
- Juros e amortizações respeitantes a dívidas contraídas com a aquisição, construção ou beneficiação de imóveis para habitação própria e permanente (ou arrendamento para habitação permanente do arrendatário),
- Os prémios de seguros de vida, de acidentes pessoais e de saúde,
- Importâncias aplicadas em PPR, fundos de pensões e outros regimes complementares de segurança social.
II - Tributação
Actualização de escalões de rendimento e deduções
Verifica-se uma actualização de 0,8% nos escalões de rendimento tributável, em consonância com a taxa esperada de inflação.
As deduções à colecta são actualizadas a taxas entre aproximadamente 0,9% e 2,4%, embora algumas possam ter uma actualização superior em função da sua indexação à remuneração mínima mensal (actualização de € 450 em 2009 para € 475 em 2010).
Dedução aos rendimentos de pensões
Para os rendimentos anuais de pensões superiores a € 30.240 (era € 30.000 em 2009), será dedutível um montante de € 6.000 ou as quotizações sindicais até 1,5% do rendimento bruto de pensões acrescidas das contribuições obrigatórias para regimes de protecção social e para subsistemas legais de saúde, sendo que essa dedução será reduzida em 13% do excesso do rendimento de pensões face ao limite de € 30.240. Não obstante, parece resultar da Proposta de Lei que as referidas deduções deixam de ser cumulativas.
Trabalhadores independentes
Introdução de diversas medidas simplificativas do regime simplificado em sede de IRS, a saber:
- Fixação de um limite quantitativo único para o enquadramento no regime simplificado, agora de € 150.000, pondo termo à diferenciação entre as vendas e os demais rendimentos empresariais.
- Eliminação do rendimento tributável mínimo (€ 3.150 em 2009). Consequentemente, deixou de fazer sentido a regra relativa aos rendimentos acessórios prevista para os titulares de rendimentos desta categoria que aufiram outros rendimentos englobáveis, pelo que a mesma foi revogada.
Os actos isolados, que não ficam adstritos a limite de valor, passam a ficar sujeitos ao regime simplificado ou ao regime de contabilidade organizada em função do respectivo montante (até € 150.000 ou superior, respectivamente).
Finalmente, passa a ser possível a emissão de recibo de modelo oficial (v.g. recibo verde) em formato electrónico.
Doações de imóveis
Embora já existisse uma norma anti-abuso para efeitos de determinar as mais-valias decorrentes da alienação de imóveis adquiridos por via de doação isenta de Imposto do Selo, a mesma veio agora a ser reforçada. Assim, considera-se como valor de aquisição o valor patrimonial tributário (VPT) do imóvel fixado até aos dois anos anteriores à doação, evitando-se, por exemplo, as situações em que, nesse período, se verifique uma revalorização do VPT.
Taxas liberatórias e especiais
É aprovada uma taxa liberatória uniforme de 20% aplicável aos rendimentos até agora sujeitos a taxas liberatórias entre 15% e 35%. Na prática, e a título exemplificativo, passam a ser tributados a 20% rendimentos auferidos por não residentes antes sujeitos à taxa de 15%, designadamente, comissões pela intermediação de quaisquer contratos, certas prestações de serviços, royalties e alguns incrementos patrimoniais (indemnizações que visem a reparação de danos não patrimoniais, de danos emergentes não comprovados e de lucros cessantes, bem como as importâncias auferidas em virtude da assunção de obrigações de não concorrência).
Por outro lado, verifica-se um alargamento da aplicação da taxa especial de 20% no que concerne a rendimentos de capitais obtidos no estrangeiro por sujeitos passivos residentes, não sujeitos a retenção na fonte em Portugal, nomeadamente, resultado da partilha, rendimentos auferidos no âmbito da associação em participação ou à quota e ganhos decorrentes de operações de swaps cambiais, swaps de taxa de juro, swaps de taxa de juro e divisas e de operações cambiais a prazo).
Rendimentos prediais produzidos em anos anteriores
O contribuinte que aufira num ano fiscal rendimentos comprovadamente produzidos em anos anteriores beneficia de um regime através do qual se mitiga o efeito decorrente da eventual subida de escalão de tributação derivado da concentração num ano de rendimentos que, em condições de normalidade, deveriam ter sido repartidos por anos anteriores.
Este mecanismo de mitigação, enquanto exigência elementar de justiça tributária, não possuía, no entanto, alcance transversal, sendo até agora aplicável apenas aos rendimentos de trabalho dependente e pensões. Este mecanismo é agora alargado aos rendimentos prediais (categoria F). Estão em causa as rendas dos prédios rústicos, urbanos e mistos, pagas ou colocadas à disposição dos respectivos titulares em ano distinto daquele que lhes dá origem. Neste âmbito, entendeu-se que, nas situações em que o pagamento ou colocação à disposição das referidas rendas prediais venha apenas a ocorrer em anos posteriores.
Além disto, alarga-se de 4 para 6 o número de anos aos quais podem ser imputados os rendimentos respeitantes a anos anteriores.
Alargamento da dedução à colecta com equipamentos de eficiência energética
Importante também no capítulo do aprofundamento da reforma fiscal ambiental é o alargamento da dedução à colecta do IRS dos encargos suportados pelos contribuintes individuais com equipamentos de eficiência energética. Procede-se, assim, ao alargamento destas deduções aos equipamentos e obras que contribuam para a melhoria das condições de comportamento térmico de edifícios, de que serão exemplo a instalação de vidros duplos em habitações ou o isolamento de telhados.
No entanto, limita-se a possibilidade de utilização da dedução fiscal relacionada com este tipo de encargos, isto é, apenas podem ser usufruída uma vez em cada período de quatro anos.
Prémios de jogos
Os prémios de rifas, jogo do loto, bem como de quaisquer sorteios ou concursos e os prémios do bingo, deixam de ser tributados em IRS para serem tributados em Imposto do Selo.
Benefícios com computadores
A dedução à colecta do IRS correspondente a 50% dos montantes despendidos com a aquisição de computadores de uso pessoal, incluindo software, aparelhos de terminal, bem como com equipamento relacionado com redes de banda larga de nova geração, até ao limite de € 250, foi revogada.
Sujeitos passivos com deficiência
Prorrogação para 2010 do regime transitório de isenção de 10% dos rendimentos do trabalho dependente, independente e pensões, até ao limite de € 2.500, auferidos por sujeitos passivos com deficiência.
In DE, Ernst & Young, 01/02/10
Sócrates apela à confiança dos portugueses
O primeiro-ministro, José Sócrates, fez um apelo à união e confiança dos portugueses, este domingo, no discurso das comemorações do centenário da República, no Porto.
O primeiro-ministro fez um apelo à união dos portugueses nas comemorações do centenário da República.
«Dirijo-me ao povo português, origem e fundamento da legitimidade republicana para apelar que nos unamos em torno dos valores superiores que nos identificam como povo e cidadãos da República», defendeu o primeiro-ministro.
José Sócrates considerou que «a consciência desses valores» fará dos portugueses mais fortes, erguerá uma «comunidade com memória do passado», mas também «com coesão no presente» e um «projecto de futuro».
«É nos portugueses e na nossa história que reside a nossa força e confiança, confiança que não assenta nem na ilusão nem no desconhecimento da realidade, pelo contrário funda-se na convicção e na vontade de um povo que em liberdade se exprime e que em liberdade escolhe soberanamente o seu futuro», afirmou o chefe de Governo.
José Sócrates deixou alguns sublinhados sobre o significado de servir o regime republicano.
«Serve-se a República, fazendo de Portugal uma democracia aberta e contemporânea, um país de cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres, serve-se a República, com abertura à mudança e espírito reformista, fazendo de Portugal um país mais moderno e próspero, serve-se a República dando em todos os momentos, mas sobretudo nos mais difíceis e exigentes, um exemplo de fidelidade aos princípios e de firmeza na acção», salientou o primeiro-ministro.
In TSF, 31/10/2010
O DESCONCERTANTE DEBATE SOBRE A IDENTIDADE NACIONAL
O debate sobre a identidade nacional lançado pelo Governo de direita de Nicolas Sarkozy é desconcertante, porque está a criar desnecessariamente uma grande tensão e incomodidade entre as múltiplas comunidades de que é constituída a França.Faz sentido perguntar, desde logo, que lugar podem ter neste debate os mais de cinco milhões de estrangeiros que vivem em França, entre os quais as várias centenas de milhar de portugueses e luso-descendentes, bem como os 13 milhões de cidadãos que têm pelo menos um avô nascido noutro país ou os muitos milhares de casais mistos. Até Sarkozy e a sua mulher Carla Bruni descendem de húngaros e de italianos.
É certo que este debate atinge particularmente a comunidade magrebina e islâmica, mas acaba por interpelar inevitavelmente todos os que não são franceses, sejam ou não europeus. E é tanto mais desconcertante quanto a França até tem uma boa tradição no acolhimento e integração de estrangeiros, como acontece com os muitos milhares de portugueses e cidadãos de outras proveniências, incluindo do Magrebe.
O debate é quase irrecusável de tão interessante que é. Mas também é uma espécie de atração pelo abismo. Uma vez que se comece a discutir é difícil parar.
Os portugueses em França são um bom exemplo de uma comunidade que soube manter a fidelidade às suas origens sem deixar de absorver os valores da sociedade francesa, mantendo uma convivência harmoniosa que lhe foi permitindo obter um reconhecimento gradual da sua capacidade para viver em conjunto e partilhar identidades e culturas. Na era da globalização, a maior riqueza de um povo é mesmo a sua capacidade para viver livremente as suas múltiplas identidades.
A riqueza das nações não está no ensimesmamento sobre si próprio nem na recuperação de formas de nacionalismo, mas sim numa cultura de tolerância e respeito pela multiplicidade das identidades que constroem o dinamismo de qualquer sociedade que se quer renovar e desenvolver.
Paulo Pisco, Deputado do PS eleito pelas Comunidades
Deputado socialista questiona estratégia da RTPi e RTP África
O deputado socialista Paulo Pisco quer que a RTP diga ao Parlamento se vai redefinir a estratégia de programação dos canais internacionais, defendendo que a actual suscita pouco interesse nas novas gerações de portugueses espalhados pelo mundo.
Num requerimento entregue hoje (…há dias) na Assembleia da República, o deputado refere que na RTP Internacional “não há um jornalismo de e para as comunidades, nem tão pouco é visível a promoção e reconhecimento dos muitos valores que existem nas comunidades em todos os domínios da vida em sociedade”.
“Nota-se falta capacidade para suscitar o interesse das novas gerações de portugueses espalhados pelo mundo, falta a dimensão cívica e política fundamental para a afirmação das nossas comunidades e não se vê preocupação no estreitamento dos laços económicos entre os empresários da diáspora e Portugal e vice-versa”, refere o deputado no requerimento.
O deputado socialista considera ainda que “não existe na RTP-África uma verdadeira promoção da cooperação e dos laços históricos e culturais” que ligam Portugal aos países que falam português, particularmente junto de todos os parceiros na CPLP.
Embora reconheça alguma evolução na diversificação de programas, Paulo Pisco considera que a grelha actual permanece, aparentemente, sem qualquer definição de objectivos estratégicos e está muito longe de competir com canais internacionais de outros países.
Para o deputado Paulo Pisco, esta situação não é consentânea com a necessidade de utilizar os canais internacionais, tanto a RTP-I como a RTP-África, como um verdadeiro serviço público de televisão.
Partindo desta análise sobre a situação da RTP Internacional, o deputado socialista requer à administração da RTP que esclareça se está a equacionar redefinir a estratégia no que respeita às modalidades e programas informativos/noticiosos ou de entretenimento direccionados para as antenas internacionais.
O deputado quer ainda que a RTP explique se tem prevista alguma alteração nos conteúdos e, em caso afirmativo, em que sentido.
Questionada pela Lusa sobre este requerimento, a porta-voz da administração da RTP disse que a empresa não tem ainda conhecimento oficial deste documento “mas quando o tiver tomará uma posição se assim o entender”.
Artigo cedido pelo Deputado Paulo Pisco
COMUNICADO do CONSELHO PERMANENTE do CONSELHO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS
O Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CP do CCP) está deveras preocupado com as recentes declarações da Professora Ana Paulo Laborinho, Presidente do Instituto Camões (IC), sobre a eventualidade do ensino do português enquanto língua materna poder acabar em alguns países.
A confirmarem-se, poderão mesmo significar que o Governo entende desvincular-se de princípios constitucionais que obrigam e unem o Estado Português ao conjunto dos cidadãos portugueses espalhados pelo mundo.
Alertamos e apelamos aos diversos Órgãos de Soberania para que façam todos os esforços necessários para que sejam preservados direitos fundamentais consagrados na Constituição da República Portuguesa que manda que na realização da política de ensino, incumbe ao Estado de assegurar aos filhos dos emigrantes o ensino da língua portuguesa e o acesso à cultura portuguesa.
Também reafirmamos que nesta e noutras matérias, os cidadãos filhos de Portugal que residem fora do território nacional, não merecem que lhes sejam enviados constantes sinais negativos. Precisam sim de uma política feita de actos concretos e positivos.
De 27 a 29 de Janeiro próximo, o CP do CCP, reúne-se em Lisboa na Assembleia da República. As problemáticas do ensino do português no estrangeiro, da cultura e das suas incidências na preservação da identidade, serão pontos importantes da agenda de trabalhos e dos encontros programados.
Por iniciativa do CP do CCP, estão marcados encontros com a Professora Ana Paulo Laborinho, Presidente do IC e o Dr. António Braga, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas que através do Despacho n° 1000/2010 de 8 de Janeiro de 2010, recebeu delegação do Dr. Luís Amado, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, sobre o Instituto Camões, I.P., nas matérias relativas ao ensino do português no estrangeiro.
O CP do CCP, enquanto órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades e no quadro das suas funções e competências, transmitirá de novo ao Governo o seu parecer sobre o que poderia constituir um projecto estratégico autonómico de conservação e desenvolvimento da língua e da cultura portuguesas nas Comunidades assente em políticas de língua, ensino e cultura direccionadas às comunidades, distintas das também necessárias políticas orientadas para a internacionalização da língua portuguesa.
Também aproveitará para ouvir e questionar o Governo sobre o rumo que pretende seguir no quadro das atribuições do Ministério dos Negócios Estrangeiros nas áreas da Cultura e Educação, nomeadamente, quanto aos meios, às acções concretas e à agenda que irá implementar para a prossecução da sua política de ensino e divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro.
Comunicado enviado por António Fonseca a 25 de Janeiro de 2010.
Autarca quer mais representação portuguesa em França
Hermano Sanches Ruivo, Conselheiro municipal de Paris, constata “um atraso de representação política” dos Portugueses em França.“Os Portugueses tentaram conseguir mais educação e ganhar dinheiro mas não passaram à fase seguinte, a de ter uma cor política e fazer um investimento político, aquilo que fazem, por exemplo, nos sindicatos e nas empresas”, explica o autarca
luso descendente, entrevistado pela agência Lusa no Hôtel de Ville, em Paris.
“É uma herança da ditadura portuguesa. Os nossos pais não tinham espírito cívico porque não tiveram a experiência da democracia”, acrescenta. Apesar dos 3.500 “luso-eleitos” de França (a maior parte em cidades com menos de cinco mil habitantes), o caso de Hermano Sanches Ruivo, que tem poder executivo na capital francesa, é uma excepção. “Não temos nenhum Deputado de origem portuguesa, não temos nenhum Senador de origem portuguesa, nem nenhum Conselheiro regional”, resume. “E se os temos não os conhecemos, porque a ligação deles à
Comunidade não é concreta”, ressalva. “Nós somos eleitos franceses de origem
portuguesa. Não somos eleitos da Comunidade portuguesa”, sublinha Sanches Ruivo, para quem “a Comunidade não existe”, no sentido de “rede” com representatividade política. O motivo é simples: “A Comunidade, maioritariamente, não está inscrita nas listas eleitorais”, constata o Conselheiro municipal. E dá números: num universo de 480 mil cidadãos Portugueses residentes em França, e que poderiam votar nas eleições locais, “apenas há 90.000 inscritos”.
Esta demissão por omissão, diz, faz com que outras Comunidades de origem europeia, com menor representação demográfica, tenham mais representação política. “Em Paris, há 140.000 cidadãos europeus, dos quais 40.000 Portugueses, 17.000 Espanhóis, 11.000 Italianos”, enumera, contrapondo o peso real destas duas últimas Comunidades, “para não falar de Comunidades mais antigas como a judaica ou a arménia”. Um exemplo óbvio de representatividade é a franco-espanhola Anne Hidalgo, número dois do Presidente Bertrand Delanoë no executivo de Paris. “Os Portugueses poderiam ser 10% do eleitorado, em eleições que se ganham ou perdem por 2 ou 3 mil votos”, refere Sanches Ruivo. Há preconceitos e estereótipos que Sanches Ruivo procura vencer. “Eu não sou emigrante. Sou filho de emigrantes
e com muito orgulho nisso. Mas não sou emigrante”, diz o autarca, com um murro na mesa. Aos compatriotas franceses, pelo contrário, Sanches Ruivo explica que não chegou ao Hôtel de Ville com “vénias”. “Não somos inquilinos. Somos co-proprietários. Também participámos no desenvolvimento deste país e ganhámos o nosso lugar”, salienta. Para Sanches Ruivo, “Portugal apenas investiu na carolice” e nunca teve uma política dirigida a “uma presença eficiente e concreta”em França.
Para isso, é preciso ir mais além do que “o estereótipo dos Portugueses honestos, trabalhadores, brancos e católicos”, ironiza Sanches Ruivo, que pede arrojo nas políticas para as Comunidades lusófonas. Até lá, “vai tudo demasiado devagar”.
Sanches Ruivo deixa uma questão, quase em forma de repto político: “Onde está o jantar anual da Comunidade portuguesa ao qual o Presidente da República de França nunca correria o risco de faltar?”
Pedro Rosa Mendes, Agência Lusa, in Lusojornal
A minha Pátria é onde?
É admirável como os Portugueses emigrantes estão ligados à sua pátriade origem: muitos procuram a missa em português, frequentam sobretudo os restaurantes de gastronomia portuguesa e ligam-se a associações portuguesas onde se cultivam outras tradições culturais nacionais. Até procuram, se possível, inscrever os filhos na catequese em português por causa da língua. Tenho testemunhado isto.
No entanto, como em muitas situações da vida, há um “mas”…
No domingo dia 17 de Janeiro, a Igreja celebrou o 96º Dia mundial dos Migrantes e Refugiados. Ela sabe desde as suas origens o que é a experiência da migração e da
busca de refúgio e segurança. Abraão saiu da Caldeia (actual Iraque) para chegar à terra que lhe foi prometida, na Palestina. Os seus bisnetos partiram para o Egipto
fugindo da fome.De lá a sua numerosa descendência, saiu em busca de liberdade e de uma vida digna, destruído que estava a ser pela escravatura e opressão egípcias. O próprio Filho de Deus terá emigrado, ainda recém-nascido, para salvar a sua vida e refugiar-se no Egipto. O mundo não mudou muito neste aspecto.
Hoje milhões de seres humanos continuam a procurar outra terra onde viver e trabalhar por razões de ordem económica, política, social, cultural e religiosa. Para
terem de comer, para poderem celebrar a sua Fé, para poderem salvar a sua vida e das suas famílias.
O mundo mudou: porque hoje nos descobrimos muito mais interligados e dependentes uns dos outros.
As sociedades tornaram-se multiculturais e plurireligiosas, o mundo inteiro vive agora na nossa rua, na nossa cidade.
Na sua mensagem para este dia o Papa escreve: «Um aspecto característico da migração de menores é constituído pela situação dos jovens nascidos nos países de acolhimento, ou então por aquela dos filhos que não vivem com os pais emigrados depois do seu nascimento, mas que se reúnem a eles posteriormente. Estes adolescentes fazem parte de duas culturas, com as vantagens e as problemáticas
ligadas à sua dupla pertença, condição esta que todavia pode oferecer a oportunidade de experimentar a riqueza do encontro entre diferentes tradições culturais ». Aqui encontro o “mas” a que me referia no início. Os mais novos cada vez mais falam menos o português: porque é mais fácil falar em francês, porque os pais não o falam com eles, porque têm vergonha de não o falar muito bem…
Gostar do clima e da paisagem de Portugal, tão diversa e bela, não chega. Ter Portugal como destino único e habitual de férias não basta para sermos Portugueses de corpo e alma, cidadãos de um mundo plural e diverso. Tudo isso é bom, mas não é suficiente! Numa geração corremos o risco de perdermos o português em França, e ficaremos reduzidos apenas ao resto: comida, paisagem e clima!
Não se lê o português, não se escreve português, e deixa-se de falar em português. E poderemos ser portugueses sem falar a língua?
Conheço várias línguas, por razões de estudo: francês, inglês, espanhol
e até um pouco do italiano.
Aprecio a diversidade cultural e racial da humanidade. Não me move nenhum nacionalismo foleiro e amedrontado com as diferenças dos outros. Sou católico e a Igreja é a maior experiência de diversidade e pluralismo, que se conhece até hoje na história da humanidade.
Mas creio que seria trágico perdermos a nossa língua por preguiça e comodismo de não a falarmos mais. Em França o chinês é mais estudado que o português, embora
a Comunidade portuguesa (de várias gerações) seja maior que a comunidade chinesa. E em conversa com pessoas das associações, que tentam promover o ensino do português, sei das dificuldades em encontrar alunos, por vezes. A situação será muito diferente noutras regiões? A minha Pátria é onde, é o quê? São várias coisas, com certeza, e algumas já enunciadas neste texto. Mas, sobretudo, “a minha Pátria é a língua portuguesa”, como escreveu Fernando Pessoa, o grande
escritor do século XX. Falemos o português uns com os outros, com as crianças e jovens, enriquecendo-nos com a nossa língua, longe de estar morta: é uma língua de futuro, é uma outra Pátria para nós, neste vasto Mundo feito de tantos mundos…
In Lusojornal, n°240, par Padre Nuno Aurélio, Reitor do Santuário de N Sra de Fátima (Paris)